Metonímia – O que é essa Figura de Linguagem? Significado e Exemplos

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Metonímia, uma palavra estranha que se refere a uma importante figura de linguagem de nosso idioma. Mas afinal, o que é isso? Veja alguns exemplos interessantes para entender.

O que é Metonímia – Significado

A palavra metonímia é originária do grego metonymía, que possui o significado de ‘alem do nome’. É uma figura de linguagem que pela proximidade de sentidos que as palavras têm, é permitida uma troca entre elas, em razão de haver entre elas uma relação de interdependência, continuidade, semelhança. Confira alguns exemplos de metonímia:

Exemplos de metonímia

Leia logo o trecho, cujo tema é o fim de um relacionamento amoroso e a separação do casal:

“Devolva o Kafka que eu lhe emprestei e você nunca leu”.

Esses versos fazem referência a um livro que um dos amantes pegou do outro e nem chegou a ler. Ocorre que Kafka não é o nome do livro, e sim do autor do livro (Franz Kafka (1883 – 1924), escritor Austro-húngaro).

É fácil concluir, então que o autor substituiu “livro do Kafka” pelo próprio nome do autor. Essa troca é válida porque entre essas palavras se estabelece o vínculo associativo autor-obra, que possibilita a substituição.

É conveniente tomar certo cuidado para que não se confunda metáfora com metonímia. A metáfora se baseia num mecanismo de associação de ideias, de semelhança, comparação mental. A metonímia, por sua vez, é a simples troca de uma palavra por outra. Essa troca só é possível entre palavras que apresentam entre si uma continguidade, ou seja, que apresentam semelhança de sentidos.

Outros exemplos de metonímia:

“O estádio aplaudiu muito os dois times”.

(Estádio substitui torcedores. A troca foi possível porque o [estádio contém os torcedores].)

Tudo o que ele tem foi conquistado com seu próprio suor.

(Suor [o efeito] substitui trabalho [a causa].)

 

Na torre da igrejinha, o velho bronze soava melancolicamente.

(Bronze [o material] substitui sino [o objeto feito de bronze].)

Acompanhe o diálogo a baixo:

– Você vai gostar de Berlim, Ju. A cozinha é incrível.

 – É mesmo? E a comida?

Podemos perceber aqui o seguinte: Ju entendeu a palavra cozinha em seu sentido literal; ela não percebeu que o/a amigo/a, ao usar uma metonímia, havia empregado cozinha para se referir à própria comida. O fato de a comida ser feita na cozinha foi o que possibilitou a substituição de uma palavra por outra.

Casos em que é empregado metonímia:

O nome do autor no lugar do nome da obra:

“Adoro ler Lygia Fagundes Telles nas horas vagas.”

“Você precisa ouvir Iggy Pop, ele é o avô do punk rock!”

(Lygia Fagundes Telles é a autora, o que lemos são suas obras, seus escritos. Assim como Iggy Pop, ouvimos as músicas que ele canta, ou seja, sua obra.)

A marca no lugar do produto:

“Para limpar bem as panelas, Marcio usa bombril.”

“Cortei-me hoje fazendo a barba com gillette.”

(Bombril e Gillette são as marcas de palha de aço e lâminas de barbear. Nesse caso, a pessoa não se refere necessariamente à marca, mas sim a palhas de aço e lâminas de barbear em geral.)

O continente no lugar do produto:

“Até os pratos mais simples ficam com outro sabor quando você usa a receita certa.”

(A palavra prato, nesse caso, refere-se à comida – conteúdo – e não ao recipiente; as comidas é o que ficam com o outro sabor quando se sua a receita certa.)

O efeito no lugar da causa:

“Respeite as rugas da minha cara.

(Rugas constituem o efeito; a velhice é a causa do surgimento das rugas.)

O abstrato no lugar do concreto:

“O amor é cego.”

(O amor, que é algo abstrato, está empregado no lugar da pessoa que ama.)

A parte no lugar do todo:

“Os sem-teto fizeram outra invasão para pressionar o governo.”

(O teto é uma parte da casa. A expressão sem-teto quer dizer “sem casa”.)

A causa no lugar do efeito:

“Sou alérgico a cigarro.”

(O cigarro é a causa; a fumaça, o efeito. Podemos ser alérgicos à fumaça, mas não ao cigarro em si.)

A metonímia no dia a dia

Os sistemas de pictogramas (imagens ou grupos de imagens que integram uma escrita sintética, resumida) costumam empregar a metonímia como recurso para orientar usuários em terminais de transporte, postos rodoviários, ginásios de esportes, etc. Assim, cartas são desenhadas para representar um posto do correio; uma bomba de gasolina, para representar um posto; um chapéu e uma bengala, para indicar o banheiro masculino e etc.

Leia o poema a seguir:

Olhos são só tristeza

Quando vê alguém que olha

Com amor os teus

Mãos que não afagam

Apenas pegam num copo

De bar, quebrado

Lábios que não beijam

Apenas o desejam estar

Entre os seus
Palavras vêem e vão

Sentado aqui, sozinho

Tecendo esse amor

Em vão

Observe que, no poema, olhos, mãos, lábios e palavras são elementos que dizem respeito ao eu lírico. Entre esses elementos e a pessoa à qual eles pertencem há uma relação de interdependência, uma vez que é o eu lírico que tem olhos, mãos, lábios e diz as palavras. Nesse caso, temos uma metonímia.

 Mais exemplos de Metonímia:

“Comi uma lata de atum no jantar.” (Não é possível consumir uma latinha de atum, logo, aqui é um caso em que o continente é a embalagem e foi trocada pelo conteúdo, que é o atum.)

“Ela ficou de passar na vó mais tarde.” (Aqui, a pessoa quis dizer que vai passar na casa da vó, fazendo referencia apenas a moradora da casa.)

“A invenção da penicilina foi um grande avanço para o homem.” (Não foi apenas um único homem que se beneficiou da descoberta do antibiótico. Pode-se substituir homem por humanidade.)

“Tomamos uma grade de cerveja ontem no bar.” (Outro caso em que sabemos não ser possível consumir uma grade, logo, é um caso em que o continente que é a embalagem foi trocada pelo conteúdo, que é cerveja.)

“Ele tem um Chevrolet.” (Chevrolet é a marca do carro, logo, ele tem um carro da marca Chevrolet.)

“Essa blusa tem cor de abacate.” (Nessa frase, cor de abacate faz referencia a uma cor em que não se sabe o nome, um verde amarelado, ou um amarelo esverdeado, não se sabe e a pessoa achou uma cor referência para sua colocação.)

Imagem: noticias.universia.com.br