Elipse – O que é essa Figura de Linguagem? Significado e Exemplos

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Entenda o que é a elipse e veja exemplos de uma das figuras de linguagem mais utilizadas em nosso cotidiano. Presente em vários exemplos e principalmente em conversas informais.

O que é Elipse – Significado

Originária do grego, elleipspis, que significa “supressão”, ou seja, cancelamento, anulação. Assim, elipse é a omissão, a não colocação de um termo que o contexto permite ao leitor ou ouvinte identificar com certa facilidade. Possibilita ao receptor da informação deduzir rapidamente do que se trata.

“Se chegar tarde da noite, a porta trancada. As roupas num saco preto de lixo, na rua.

Se resolver ficar, a porta aberta, coração desimpedido, amor retribuído”.

 

Como se pode observar, o autor omitiu algumas palavras, que podem ser recuperadas pelo leitor. A frase, com todos os termos, poderia ser assim:

Se [você] chegar tarde da noite, a porta [estará] trancada. As roupas [estarão] num saco preto de lixo, na rua.

Se [você] resolver ficar, a porta [estará] aberta, coração [estará] desimpedido, amor [será] retribuído.

O autor utilizou, no trecho acima, a figura de linguagem elipse. Esse é um recurso que contribui para conseguir do leitor ou ouvinte uma atitude mais atenta e participativa em relação ao que foi enunciado.

 

Exemplos de Elipse

“Ando rápido por essas ruas, são perigosas”.

“Eles estavam atrasados, por isso preferiram ir de táxi”.

Nesses versos há elipse do sujeito eu.

A frase poderia ser:

Eu ando rápido por essas ruas, são perigosas”.

“Eles estavam atrasados, por isso eles preferiram ir de táxi”.

Essa figura de linguagem é a omissão de um termo ou de uma oração inteira, ficando a cargo do receptor da mensagem perceber o que foi deixado subentendido.

“Chegou quieta, um olhar triste, roupa molhada, pés descalços, semblante cansado”.

Essa mesma frase poderia ser dita: Ela chegou quieta, com um olhar triste, com roupas molhadas, com os pés descalços, com o semblante cansado.

Outros exemplos de Elipse:

“Chegamos tarde ao festival”. (o “nós” foi omitido da oração. A frase completa ficaria: “Nós chegamos tarde ao festival”.)

“Não parei porque estava atrasado”. (há a ausência do pronome pessoal “eu”. “Eu não parei porque eu estava com presa”.)

 “Não achei ele na festa, por isso vim embora”. (Outro caso de omissão do pronome pessoa “eu” e que não prejudica o entendimento da frase. “Eu não achei ele na festa, por isso eu vim embora.”)

“No chão da casa, sapatos e meias jogados”. (ausência do verbo haver. “No chão da casa, havia sapatos e meias jogados”.)

Sabemos que uma frase é formada pelo: sujeito, predicado e complemento. A elipse se configura na exclusão de um desses três elementos, e podem ser de verbos, sujeito, preposições e conjunções, alterando a estrutura da frase, mas não o seu conteúdo.

Entenda com um exemplo na poesia

“Eu era inquieto, esperto

Sabia das coisas boas da vida

Vivia as coisas pequenas do dia a dia

Eram curiosos, interessados

Conheciam as coisas boas da vida

Sabiam as dificuldades do dia a dia

Viviam as grandes coisas, pequenas coisas da vida”

Podemos perceber que durante todo o poema, o autor utiliza elipse para dar mais fluidez ao texto, sem, no entanto, causar dificuldade na compreensão do texto.

“Foi embora, deixou espaço no armário vazio, abriu o portão, caminhou, virou a esquina, esqueceu. Não lembrou do que ficou para trás, apenas seguiu em frente. Um pé em frente ao outro sem memória nem história, não bateu o cartão, não pagou as contas, não teve filhos, não escreveu livros, desapareceu”.

(Nota-se nesse trecho da poesia a ausência do sujeito nas frases)

“Na calçada, um cão, um pássaro, o sol. Risco o chão com tijolo, pulo amarelinha, chove. O desenho se vai, fico, corro, observo, tudo começa de novo.

(Nota-se mais uma vez a ausência de sujeito, na oração)

 

Não confunda elipse com Zeugma

Existe outro tipo particular de elipse, o ZEUGMA. A palavra tem origem no grego zeygma, que significa “conexão”.

Zeugma é um tipo de elipse que consiste na omissão de um termo que já foi empregado na frase. Na elipse é possível identificar que algo foi omitido, que uma oração pode ter sido omitida. Mas na zeugma, o termo omitido já havia sido usado antes. Por exemplo:

“A galinha come milho, a vaca, pasto.”

Zeugma, ou seja, omissão da forma “come”. A frase poderia ser: A galinha come milho. A vaca come esterco. Mas devido à utilização do zeugma, o verbo “come” fica ausente na frase.

Outro exemplo de zeugma:

“O aluno falou tão alto que interrompeu a aula”. (A frase poderia ser dita: “o aluno falou tão alto que [o aluno] interrompeu a aula”. (mas fica repetitivo e é compreensível mesmo com o zeugma.)

“Ela gosta de ler livros e de ouvir músicas também”. (aqui poderia acontecer à repetição do verbo “gostar”. Mas é possível compreender o sentido completo da frase mesmo ela não sendo escrita da forma completa: “Ela gosta de ler livros e gosta de ouvir músicas também”.)

“Corte esses legumes, enquanto eu corto esses outros”. (“esses outros” indica que a palavra omitida foi “legumes”. Haveria uma repetição sem necessidade da palavra “legumes” no fim da frase, ou seja, “corte esses legumes, enquanto eu corto esses outros legumes”. Observa-se que ao evitar a repetição o texto também fica mais limpo)

“Todos ficaram com medo da prova de português. Na sala, só quatro estudantes”. (foi omitido o verbo haver. A última frase, completa, seria “Na sala só há quatro estudantes”).

“Pão, queijo, vinho, tudo comprado para o jantar romântico”. (foram omitidos os artigos e também o verbo foi. A frese completa deveria ser: O pão, o queijo, o vinho, tudo foi comprado para o jantar romântico”.)

“Helena é professora de história, eu de matemática”. (aqui ocorrem duas omissões, tanto do verbo ser, conjugado em sou, como do termo “professora”. A frase completa seria: “Helena é professora de história, eu sou professora de matemática”.)

Essa omissão de um termo já mencionado anteriormente e que não prejudica de maneira alguma o entendimento e clareza da frase, é um caso especial e mais fácil de elipse. Assim para questões de provas e outros testes, é preciso ter claro que a zeugma ocorre quando é omitido um termo ou oração que já havia sido dita na frase. Já na elipse, não é necessário o termo já ter aparecido.

Imagem-   leitorcabuloso.com.br